Enquanto o crédito via poupança cresce, os financiamentos com recursos livres registram forte queda em maio. Entenda o que mostram os dados da ABECIP e os impactos para o mercado imobiliário.
O mercado de crédito imobiliário brasileiro apresentou desempenho positivo em maio de 2026, impulsionado principalmente pelos financiamentos realizados com recursos da caderneta de poupança (SBPE). Segundo dados divulgados pela ABECIP, o volume financiado alcançou R$ 17,17 bilhões, o segundo melhor resultado para um mês de maio na série histórica. O montante representa crescimento de 1,1% em relação a abril e expressiva alta de 51,5% na comparação com maio de 2025.
Nos cinco primeiros meses do ano, os financiamentos com recursos do SBPE somaram R$ 76,5 bilhões, avanço de 23,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, reforçando a recuperação da demanda por crédito imobiliário tradicional.
Apesar desse cenário favorável, os financiamentos imobiliários realizados com recursos livres seguiram trajetória oposta. Em maio, o volume contratado foi de R$ 1,05 bilhão, registrando queda de 30,6% frente a abril e retração de 35,4% na comparação anual. No acumulado entre janeiro e maio, essas operações totalizaram R$ 8,24 bilhões, resultado 2,5% inferior ao observado no mesmo período de 2025.
A desaceleração também foi observada na quantidade de imóveis financiados por essa modalidade. Em maio, os recursos livres viabilizaram a aquisição e construção de aproximadamente 2,8 mil imóveis, número 63,6% menor que o registrado em abril e 66,2% inferior ao de maio do ano passado. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, foram financiadas 42,5 mil unidades, redução de 9,6% em relação ao mesmo período de 2025.
Enquanto o crédito lastreado na poupança demonstra resiliência e continua sustentando o mercado imobiliário, o desempenho dos financiamentos com recursos livres indica um ambiente mais cauteloso para operações fora do SBPE, refletindo um cenário de menor apetite para esse tipo de crédito. Os dados reforçam a importância do sistema de poupança como principal fonte de financiamento imobiliário no país neste momento.